O medo e a falta de opioide no país levam a subtratamento da dor | Panorama Farmacêutico – Imã de geladeira e Gráfica Mavicle-Promo

Em contra do que acontece nos Estados Unidos, onde existe um surto de casos de overdosepor uso de medicamentos opióides, os pacientes com dor no Brasil e na América Latina ainda recebem tratamento em níveis inferiores ao que considere mais adequado.

 

Os opiáceos são drogas derivadas da papoula, são geralmente usados para o alívio da dor, como a morfina.

 

Enquanto que nos Estados Unidos a média de consumo desses medicamentos é de 500 mg por pessoa, por ano, no Brasil o uso cai para em torno de 10 mg, de acordo com dados de 2016 da JIFE (Junta Internacional de fiscalização de Entorpecentes (jife).

 

Entre as razões para o baixo índice de uso no Brasil, estão o medo, por parte de profissionais e pacientes e a falta de medicamentos, de acordo com João Batista Garcia, professor da Universidade Federal do Maranhão e presidente da Federação latino-americana de Associações para o Estudo da Dor.

 

Garcia falou no seminário Viver com Dor, realizado pela Folha, no dia 17, em São Paulo. O evento contou com o patrocínio do laboratório Comercial e o apoio da farmacêutica Mundipharma e da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor.

 

A mediação do debate foi feita por jornalistas da Folha Cláudia Collucci e Everton Lopes Batista.

 

De acordo com o médico da comissão Federal do Maranhão, grande parte dos medicamentos ainda é escassa e cara no país.

 

“Recentemente, eu avaliado um paciente na cidade de Altamira, no estado do Pará. Ele tinha câncer de pâncreas e ele não podia consumir analgésicos por via oral. Apesar de sentir a dor e a falta de ar, nenhuma farmácia ou a um hospital da região, havia morfina injetável. Esta é uma amostra do que acontece em todo o país.”

 

Além da falta de recursos, os médicos têm medo de prescrever opióides mais fortes, devido aos excessos observados em outros países, e o medo de gerar dependência ou de overdose. Esses riscos, no entanto, estão longe da realidade brasileira, onde a dor ainda é subtratada, de acordo com Garcia.

 

“Já vi os pacientes sofrendo, tomando um analgésico fraco, porque o médico não quis receitar morfina. A Morfina não é só para quando a pessoa está morrendo. É preciso mudar esse pensamento. É um analgésico como qualquer outro”, disse Angela Sousa, diretor do Centro Multiprofissional de Tratamento de Dor de Enfermagem (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira).

 

A desinformação do público também tem sido uma barreira para o crescimento do uso de opióides no Brasil. Um medo muito comum que os pacientes são os efeitos colaterais, de acordo com a Angela.

 

A melhor forma de reverter esse quadro, dizem os especialistas, é promover a educação de profissionaise de pacientes para o tratamento da dor.

 

Guilherme Moreira Barros, médico e professor do Departamento de Anestesiologia da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp), alertou sobre os riscos da automedicação, que ocorre entre pessoas que não têm acesso a tratamento adequado.

 

Quando se automedicam, muitos recorrem ao uso de anti-inflamatórios. Para Barros, estas drogas são perigosas, especialmente se ingerido de forma indiscriminada.

 

A imprecisão do diagnóstico é outro aspecto que dificulta o tratamento da dor, já que depende do testemunho do próprio paciente.

 

“Os médicos têm dificuldades para avaliar a intensidade da dor, porque muitas vezes o que o paciente diz sentir não é físico. Existem outros componentes, como o medo da morte, o isolamento, o medo de ter que abandonar a família”, disse Barros.

 

No caso da fibromialgia, que causa fortes dores pelo corpo e não tem cura, a existência da doença chegou a ser posta em dúvida, devido à dificuldade de detecção clínica, de acordo com o médico da Unesp.

De acordo com especialistas presentes no seminário, a definição de dor deve ser o que o paciente diz sentir, seja o resultado de um sofrimento físico, psicológico ou social.

 

Quando o paciente sofre de uma doença que afecta a sua capacidade de expressar-se, o diagnóstico deve ser feito por meio da observação. Para isso, o médico analisa os aspectos físicos, como as expressões faciais, o movimento dos membros superiores e as reações a estímulos, e também de comportamento, como a alimentação, de acordo com Angela e Barros.

 

Para Garcia, a comissão Federal do Maranhão, como a dor que se sente de forma individual, o tratamento também deve ser individualizado. “A função do médico é fazer uma interpretação clínica que permita tratar cada paciente.”

Fonte: Folha de S. Paulo

Fonte: panoramafarmaceutico.com.br/2018/10/25/medo-e-escassez-de-opioide-no-pais-levam-a-subtratamento-da-dor

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